Cofen avança na criação de política nacional contra o racismo e a discriminação na Enfermagem

Cofen avança na criação de política nacional contra o racismo e a discriminação na Enfermagem

O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) deu mais um passo decisivo rumo à construção da Política Nacional de Enfrentamento ao Racismo e à Discriminação na Enfermagem. Entre os dias 28 e 30 de outubro de 2025, o Grupo de Trabalho (GT) responsável pelo tema se reuniu em Brasília para consolidar propostas e estratégias que deverão orientar a atuação da categoria em todo o país.

A iniciativa tem como objetivo garantir respeito, equidade e valorização profissional, fortalecendo o papel social da enfermagem e combatendo qualquer forma de preconceito nos serviços de saúde.

Ações prioritárias definidas pelo Grupo de Trabalho

Durante a reunião, os integrantes do GT discutiram e definiram medidas que comporão a nova política nacional. Entre as principais propostas estão:

  • Criação de uma comissão nacional e de comissões regionais para acompanhamento das ações de enfrentamento e monitoramento de práticas discriminatórias;
  • Desenvolvimento de campanhas educativas permanentes voltadas à conscientização da categoria sobre racismo estrutural, injúria racial e diversidade;
  • Instituição de mecanismos de acolhimento e apoio psicológico a profissionais vítimas de discriminação;
  • Implementação de protocolos transparentes de denúncia e responsabilização, assegurando a ética e a justiça no processo de apuração.

Essas medidas visam consolidar uma cultura institucional de respeito e valorização das diferenças, alinhada aos princípios éticos que norteiam a profissão.

Lideranças destacam o papel da enfermagem no combate ao racismo

O presidente do Cofen, Manoel Neri, ressaltou que a enfermagem é uma das categorias mais diversas do país e deve refletir essa pluralidade de forma inclusiva e livre de preconceitos.

“A Enfermagem é um espelho da sociedade brasileira e carrega consigo a missão do cuidado humano. Não podemos permitir que o racismo ou qualquer forma de discriminação ameacem nossos valores. Essa política vem para proteger o profissional e fortalecer a dignidade no ambiente de trabalho”, destacou.

Já a coordenadora do GT, Raphaela Guimarães, reforçou o caráter transformador do projeto:

“Queremos que esta política seja prática, acessível e eficaz. Não se trata apenas de um documento normativo, mas de um conjunto de ações reais, que ofereçam acolhimento e prevenção, promovendo o respeito e a segurança de todos os profissionais de enfermagem.”

Próximas etapas e cronograma

O grupo estabeleceu um cronograma de atividades para consolidar o relatório final, que será submetido à apreciação do plenário do Cofen nas próximas sessões. Após aprovação, o documento dará origem a uma resolução específica, com validade nacional e aplicabilidade em todas as esferas da enfermagem.

Além disso, o GT pretende promover seminários e encontros regionais para disseminar as diretrizes e capacitar conselheiros e gestores sobre a aplicação prática das medidas de enfrentamento ao racismo institucional.

Composição do Grupo de Trabalho

O GT é coordenado por Raphaela Guimarães, chefe da Divisão de Gestão de Pessoas do Cofen, e conta com a participação de:

  • Rosimeire da Silva, vice-presidente do Conselho Regional de Enfermagem do Rio de Janeiro (Coren-RJ);
  • Célia de Souza e Vera Soares, integrantes da Câmara Técnica de Enfrentamento ao Racismo do Coren-RS;
  • Elenilson Félix, representante da Articulação Nacional de Enfermagem Negra (ANEN).

Compromisso institucional e impacto social

Com essa iniciativa, o Cofen reafirma seu compromisso histórico com os direitos humanos, a equidade racial e a valorização da diversidade na profissão. A Política Nacional de Enfrentamento ao Racismo e à Discriminação na Enfermagem busca não apenas prevenir e punir práticas discriminatórias, mas também formar profissionais conscientes, éticos e engajados em promover a inclusão em todos os níveis do sistema de saúde. Ver Saúde Digital no SUS: Curso gratuito com 1.000 vagas é lançado para capacitar profissionais e transformar sistema.

A proposta consolida a enfermagem como agente ativa de transformação social, reforçando o papel do Cofen na defesa da justiça, da igualdade e do respeito à dignidade humana em cada espaço de cuidado.

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